Membros do Chega invadem estúdio da Rádio Universidade de Coimbra
Vários membros do Chega, incluindo as deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro, invadiram hoje de manhã o estúdio da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), em protesto contra a proibição da Associação Académica de Coimbra de entrada no edifício.
No estúdio da RUC, que se situa no edifício da Associação Académica de Coimbra (AAC), decorria hoje de manhã um novo programa de debate político, em que participariam as várias juventudes partidárias dos partidos com assento na Assembleia da República.
O Chega também tinha sido convidado a participar no novo programa, mas à distância, face à decisão, aprovada em assembleia magna em fevereiro, de proibição de participação do partido liderado por André Ventura em eventos da AAC e de entrada nas suas instalações, contou à agência Lusa Jaime Raposo, do Departamento de Informação da RUC.
"Por uma questão de igualdade e para assegurar que todos os partidos estariam presentes, foi dada a possibilidade ao Chega de participar por via digital", contou, referindo que recebeu, no domingo, uma comunicação do líder da distrital, Paulo Seco, a dizer que o partido não estaria presente no programa, por não concordar com a sua participação por via digital.
Durante o debate de hoje, em que participavam elementos do Livre, JS, JSD e IL, o programa acabou por ser interrompido, quando entraram no estúdio, em direto, vários elementos do Chega, liderados por Rita Matias, contou Jaime Raposo.
"Ignorámos a presença do Chega e continuámos o debate, mas, a determinado momento, a Rita Matias pegou num microfone do estúdio e eu decidi cortar a emissão. Vários membros estavam a gravar tudo com os seus telemóveis, eu pedi-lhes para pararem de gravar e para saírem do estúdio, mas disseram que iriam ficar e que também queriam participar no programa", recordou.
Os elementos do Chega, incluindo as duas deputadas, apenas abandonaram o estúdio quando chegaram três agentes da PSP, disse.
Jaime Raposo salientou que a decisão de entrada no edifício da AAC não cabe à RUC, mas sim à direção-geral da AAC.
Contactada pela Lusa, a deputada Rita Matias considerou "ofensivo" os moldes de participação do Chega no programa semanal promovido pela RUC, afirmando que "não proporciona a todos os membros das juventudes partidárias igualdade de circunstâncias para o debate".
"Foi nesse sentido que nos deslocámos fisicamente aqui para demonstrar que não só conseguimos estar fisicamente nos espaços, como estamos disponíveis para debater ideias", disse.
Rita Matias afirmou que não retirou o microfone a nenhum dos participantes e que o Chega apenas queria "contribuir para o debate", considerando que a deliberação da AAC de proibição de entrada no edifício "não é democrática nem sequer constitucional". A decisão foi aprovada em assembleia magna por uma esmagadora maioria (273 votos a favor, três contra e 30 abstenções).
Rita Matias salientou que a luta do Chega "não para por aqui", frisando que o partido irá continuar a bater-se por uma participação "em igualdade de circunstâncias com outras forças políticas".
Segundo a coordenadora da juventude do Chega, estiveram 17 jovens do partido presentes na invasão.
Rita Matias afirmou ainda que não havia qualquer "intenção de permanecer na rádio e de usurpar a possibilidade de fazerem a sua normal transmissão", sublinhando que nada têm "contra a rádio em particular".
"Aquilo que nós contestamos mesmo é a deliberação da Associação Académica", disse.
A agência Lusa procurou obter esclarecimentos junto do presidente da direção-geral da AAC, José Machado, mas sem sucesso até ao momento.